Trabalho em uma cidade relativamente próxima daqui, quinzenalmente vou até lá para um dia de trabalho… Gasto por volta de duas horas e meia na ida, e pela primeira vez fui dirigindo sozinha, sendo que jamais tinha dirigido tanto sem companhia. Meio apreensiva mas acabei encarando, afinal de contas uma hora eu teria que viajar. São aproximadamente 120 km, porém 75 deles são em estrada de terra. Enchi o peito de ar, o tanque do meu super Gol Bola 2003 8v de combustível, chequei os ítens ditos principais (Água, óleo, calibragem dos pneus e equipamentos de segurança) e caí na estrada.
Durante a ida, nenhum problema. Absolutamente dentro da normalidade, liguei meu celular-mp3-câmera-computadordebordo no modo musical, e curti MUITO a experiência de dirigir sozinha… Liberdade… Só a estrada à minha frente, música boa e uma sensação deveras especial. Durante a ida, vi algumas paisagens que gostaria muito de fotografar, uma represa desativada, curso de rio límpido. Decidi fazer na volta que teria mais tempo disponível, já que eu teria que chegar ao meu destino até as 9 da manhã.
Trabalho, trabalho, trabalho. Até as oito da noite muita ralação, e como era meio tenso dirigir todo o trecho sozinha à noite (meu celular não pega nem na tal cidade, que dirá na estrada) resolvi dormir por lá mesmo. Fui maravilhosamente bem recebida e depois de uma noite revigorante caí na estrada novamente. Saí de lá nove e meia da manhã, tempo mais que suficiente pra vir dirigindo numa boa e chegar em casa, tomar um banho e ir trabalhar de novo. Chegando nos lugares que queria fotografar, parei e fiz algumas fotos.
Depois de ter feito a última, voltei pro carro. Virei a chave e… NADA. Nem um ruído ou luz se acendeu. Tentei de novo, e mesmo resultado… Resolvi esperar alguém passar por ali, já que meu ultracelular não dava sinal. Rapidamente passou um senhor numa moto, deu uma rápida olhadela mas não pôde me ajudar já que entendia tanto de carro quanto eu [:P]. Logo depois um rapaz numa pick-up parou, e foi buscar uns fios pra fazer uma chupeta. Voltou, e na primeira tentativa da chupeta, o carro pegou! Nem pestanejei, agradeci e saí em desabalada carreira para chegar logo em casa, afinal, perdi preciosos minutos nessa brincadeira. Alguns quilômetros depois, uma engasgada… Comecei a suar frio afinal de contas, sem celular, numa estrada de terra semidesconhecida, com defeito mecânico… Não ia dar certo. Comecei a orar pra conseguir chegar em casa no mesmo dia, pensei em parar na cidade próxima para pedir ajuda, mas, se parasse, perdia a chupeta e meu dia de trabalho, então segui até a minha cidade. Foram duas horas de nervosismo torcendo muito pro carro não morrer, e nessas horas a gente começa a ver coisa que não existe… Pra mim o ponteiro da gasolina tava baixando muito rápido, mas continuei. E o carro engasgou mais algumas vezes, a luz de superaquecimento acendeu outras… Continuei com velocidade reduzida. E cheguei na entrada da cidade, onde o carro morreu após o segundo semáforo, em horário de pico na frente de dois bancos. Quase fui linchada, mas empurrando o carro consegui estacionar.
Carro quebrado, imundo, parado na frente do Banco do Brasil. Eu de mototaxi indo pra casa, tomei um banho ridículo e fui trabalhar, exaurida de cansaço. Saldo? 185 reais em uma bateria nova pro carro. Queria trocar a minha também.




